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Tati
- esporadicamente Tatiane. 21 anos.
Prosa e verso em um só saco de mentiras e verdades.
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Muito bem...
Anteontem acordei no sofá. Meu pai, na cozinha, batia os copos de requeijão sobre a mesa e fritava qualquer coisa no fogão. Algumas pessoas recebem o dom de saber ensurdecer a prole às 8 da manhã. Achei que era sonho. Virei. Muito tempo no estágio de semíssono e veio o cheiro: 'bolinho de fubá'.
Uns dias antes, a mãe tinha me perguntado pra quem eu ligara na noite anterior.
- Eu liguei? Eu não liguei, não.
- Ou atendeu. Não sei. Sei que ficou falando baixinho debaixo do cobertor.
- Mas eu não atendi também!
- Você não está é lembrando, mas tava no telefone sim...
- Tava não, mãe! Não tem jeito de eu ter estado... Acho que era coisa daquelas sonambulices de sempre.
- É, é capaz mesmo.
Encuquei com isso o resto do dia. E se eu tivesse mesmo telefonado e apagado o registro da ligação no aparelho? O que eu diria baixinho e pra quem?
De qualquer forma, nenhuma inquietação sobre realizações superpossíveis era mais incômoda que o tédio de uma tarde de quarta-feira sem café.
O tédio infelizmente perdia pro peso das não-leituras, das não-falas, das não-posturas, das inutilidades todas resumíveis em: Hoje eu assisti à novela das oito.
Das novelas
Prefiro acreditar que foi por ter ficado tempo demais sem ouvir as regravações de Tom Jobim introduzindo o Pão-de-Açúcar em fotografias. Ou então só percebi agora a artificialidade extrema na pretensão naturalesca dos atores de tevê.
Definitivamente, aqueles não servem. Nem pra ficção da ficção. Eu acho que o Jean Baudrillard devia estudar esses fenômenos televisivos e seus efeitos sobre o sujeito pós-moderno.
Isso me faz lembrar os óculos octogonais de um professor que não conheço.
Falar em conhecer: Vendo outra novela (enquanto pintava em vermelho as unhas da minha prima) e num momento muito 'sim, nós menstruamos!', me deparei com isso:
- Eu tô lhe conhecendo! Tô lhe conhecendo! a mulher reconhecendo o rosto de um filho perdido.
Achei a troca lingüística muito bonita. Comentei com as companheiras da sessão feminismo-de-editorial-de-revista e ninguém achou graça. Em vez, perguntaram se lá na faculdade não tinha uns bonitões. Eu ri.
Virei pensionista no quintal do meu avô.