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Tati
- esporadicamente Tatiane. 21 anos.
Prosa e verso em um só saco de mentiras e verdades.
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Like a mother's morning dress.
Às vezes não é bom morar muito perto de um pólo petroquímico: o céu fica laranja de repente e você pensa que o cheiro é de gás de cozinha. Que ingenuidade, não?
Americanos não cairiam nessa.
Muito menos tocadores de banjo que vendem discos demais.
Cristãos, cristãos...
Três luas Dionísio.
Antes da noite deitar, ontem, escrevi qualquer coisa no papel e esqueci que nada me prendia àquelas linhas, que não há compromisso algum entre mãos e caneta e bloco. Ha, grande palavra escrita! É rasgável, queimável e não tem tradução.
Tecer bilhetes me apetece de qualquer forma.
Na caixa de entrada constava um questionário sobre como é ser mulher: revistas femininas me atordoam.
Já que ela pediu, repetirei um texto aqui esperando que venha inspiração pra outros (mesmo eu não acreditando muito nesse tipo de assombração).
última vida, disse para mamãe: sou travesti!
mao tsé tung rispidou como um bom chinês faria: venda pastéis então, sua filha da puta!
e então todo o proletariado entrou na piscina de óleo borbulhante.
quis flertar com o moreno que se achava bem menos bolchevique que ela; se escondeu no cabo do guarda-chuva; olhou, olhou: puta sensualidade.
olhou, olhou: ele estava é noutro vale, longe; e no corredor pós-industrial só sobravam as saudades da chuva serena.
quis incorporar o poeta, mas só soube cantar pagodinho.
do outro lado do guarda-chuva, ouviu ele contar: tá tudo bem, tá tudo bem. (enquanto tomava cerveja rapidamente e ajeitava os óculos escorregando pelo nariz).
era um narrador. lúcia respirou fundo e vestiu os peitos com a camisa vermelha. continuava uma mexerica; dessa vez alvejada.
foi embora: ler o horóscopo e saber se ansiedade de mulher se mata com silêncio ou com astrologia. decidiu pelo primeiro;
cabritos são pacatos.
Olha só: ser mulher é querer mijar de pé.
Essa aí é a Hilda.
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
Hipopótamos geralmente bebem mais água do que crianças de 5 anos. Crianças de 5 anos lêem muito mais Camus que hipopótamos. Haveria hipopótamos na Argélia? Grande chana, grande savana - leu demais pra ser de verdade? Não leu. Crianças de 5 anos leram Michel Maffesoli e todos os outros nomes que eu conseguir citar ou inventar.
Queria comer um saco inteiro de bisnaguinhas Seven Boys e brincar com o menininho do pacote dizendo: você é muito japonês, indiozinho!
Aí cabiam os dois na bacia.